Cirandeiros cobram mais apoio para manter tradição da cultura popular

Em 09/05/2024
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O Dia Estadual da Ciranda, celebrado em dez de maio, motivou a realização de um encontro pela Comissão de Educação da Alepe, para debater demandas específicas desse segmento cultural. A reunião, na última quarta, foi solicitada pelo presidente do colegiado, deputado Waldemar Borges, do PSB, autor da inclusão da data no calendário oficial do Estado.

Ao reconhecer a importância do dia, o presidente da Associação das Cirandas de Pernambuco, Josivaldo Caboclo, destacou que a data “é muito mais do que um momento para celebração”. Então a gente briga por uma pauta nobre de oportunizar quem faz a nossa identidade cultural acontecer. A nação cultural que é Pernambuco, ela tem que se fazer por onde. A gente não aceita, a gente não entende, a gente compreende, mas a gente não aceita essa disparidade que existe hoje de você investir milhões e milhões em bandas. Mas a cultura popular, a ciranda, o maracatu, ser tão desvalorizado, principalmente financeiramente. É um preconceito financeiro que existe com a cultura popular.” 

Josivaldo reforçou a necessidade de serem implementadas políticas públicas permanentes para manter viva a tradição. De acordo com ele, os recursos liberados em ciclos como Carnaval e São João são insuficientes para a sobrevivência. Também integrante da direção da Associação das Cirandas, Ricco Serafim ressaltou que, até mesmo nas grandes festas, o segmento encontra entraves, pela falta de editais específicos para a expressão cultural.

Em sua participação, Mestre Bi salientou que os cirandeiros e cirandeiras “praticamente pagam para tocar”. Ele pediu mais atenção da Secretaria de Cultura do Estado e da Fundarpe. Maciel Salú, por sua vez, disse acompanhar o sofrimento da cultura popular desde a infância. Filho de Mestre Salustiano, ele lamentou a falta de incentivo público. Na mesma linha, Mestre João Goitá pediu ações concretas para ajudar o setor. Ele observou que a maioria dos representantes da Ciranda não sabe como desenvolver projetos para concorrer a editais.

Representando o Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Thamires Neves explicou a forma como é feita a manutenção de patrimônios culturais imateriais. Segundo ela, desde 2021, quando houve o registro oficial da ciranda de Pernambuco, foi feito um levantamento para definição de diretrizes. “A partir do momento que nós fizemos esse processo de escuta junto à comunidade, nós reunimos essas demandas em um documento, e passou a compor o plano de salvaguarda da ciranda. Eu digo que ele passou a compor porque esse é um documento que foi construído também junto com a Paraíba, porque a gente sabe da existência de grupos na Paraíba, e é possível que também em Alagoas. Então ele constitui uma diretriz de atuação.”

Pela Fundarpe, Julia Bernardes confirmou a elaboração do plano de salvaguarda, juntamente com o Iphan. Além disso, ela comentou o esforço da entidade para, em âmbito estadual, preservar a ciranda. A gente sabe que o Estado ele precisa ampliar os recursos para a ciranda. Mas é importante que não apenas a Fundarpe, mas como outros órgãos, assumam esse trabalho junto a vocês , né? todos, cirandeiros e cirandeiras.”

Coordenadora de Cultura Popular do Estado na Secretaria de Cultura, Jamila Marques disse ter assumido o cargo há uma semana com a missão de ser ponte entre os grupos culturais e o poder público, e se colocou à disposição para colaborar.

Como encaminhamentos, as deputadas Dani Portela, do PSOL, e Rosa Amorim, do PT, reiteraram a importância de buscar meios para desburocratizar o acesso a recursos públicos. Dani Portela condenou a disparidade no pagamento de cachês a bandas reconhecidas nacionalmente e às manifestações culturais locais. Rosa Amorim advertiu que não adianta apenas elaborar leis, mas fazer com que elas se convertam em iniciativas práticas.

O presidente da comissão, Waldemar Borges, destacou que a escuta dos mestres cirandeiros permitirá ao grupo cobrar do Estado melhorias. Então eu saio daqui com a pauta, em nome da Comissão, da gente bater à porta de quem está promovendo os eventos em nosso estado, para reivindicar uma participação mais efetiva das expressões das linguagens e das expressões culturais do nosso estado, que se traduza de uma maneira concreta em cachês dignos.”

Ainda durante o encontro, o colegiado apresentou um vídeo sobre a importância da ciranda, com a participação de vários mestres e mestras.